Vamos iniciar aqui mais uma nova seção do Dk Design: Entrevistas.
Qual a origem do grupo?
Na verdade o 6emeia é um duo, formado por Anderson Augusto e Leonardo Delafuente. Nos conhecemos na escola e desde então, criamos e realizamos trabalhos juntos. Posso te dizer que a origem vem da amizade e particularidades em comum, como a arte.
Como foi desenvolvido o estilo?
Creio q todo estilo é alcançado pelo tempo, treino e exaustivas tentativas e experimentos. Não considero isso uma regra fixa, estamos em constante mudança e evolução.
Qual o motivo da escolha de locais tão inusitados para as intervenções?
Somos artistas que não nos preocupamos em seguir moldes ou escolas…Sempre buscamos idéias e formas diferentes de expressar nossa visão. Começamos no papel, fazendo HQ, passamos para cartazes, depois para muros e consequentemente para bueiros. Foi algo que buscamos, mas que aconteceu naturalmente, em uma de nossas varias conversas.
Vocês têm o intuito de passar alguma mensagem específica com o seu trabalho?
Com certeza. É perca de tempo fazer algo a esmo, sem uma verdadeira idéia ou motivo. Vivemos em bairros centrais da cidade que sempre foram esquecidos pelas autoridades, onde sempre haviam enchentes, sujeira e descaso…talvez isso tbm tenha nos motivado a ter a idéia de pintar os bueiros, uma resposta, uma conseqüência a todo esse cenário que se construiu ao nosso redor. Ate hj não temos apoio ou patrocínio de algo ou alguém. A mensagem principal talvez seja que todos podemos fazer algo maior, maior no sentido de ajudar a todos, sem depender de ninguém.
Agora com o uso da Street Art em geral em cooperação com as outras mídias, acham que deixará de ser marginalizada?
Na verdade somos todos marginalizados…vivemos a margem da sociedade, sem condições dignas de viver…é como se fossem varias cidades dentro de uma mesma cidade. Essa coisa de deixar de ser marginalizada vem da classe burguesa paulista endinheirada que nos vê e vê o que fazemos como algo marginalizado, pq não vivemos ou freqüentamos seus meios de convívio. De repente descobriram que a Europa admirava e gostava de street art, e como sempre acontece, copiaram as tendências estrangeiras, agora dizendo a todos com seus peitos inflados-siliconizados que a street art deixou de ser marginalizada…
Acham que a intervenção de um cliente como a Asics não pode fazer com que vários graffiteiros se “vendam” perdendo a origem de seus trabalhos?
Rsrsrs…é engraçado como ainda rola esse tipo de pensamento minúsculo xiita. Oras, o artista vive de sua arte, é natural que seja contratado ou venda sua obra. Ou todos pensam que os artistas vivem de comer tela, tijolo e tinta? Não podemos diminuir o valor da criação e do criador. Empresas como a Asics, buscam novidades para atrair clientes, nada mais normal que busquem a novidade no que de mais novo existe. É engraçado tbm como muitas pessoas não consideram o graffiteiro como artista e na hora que um trabalho dele é reconhecido e comercializado ele passa a ser julgado como vendido…não vendemos a alma ou nossos ideiais, só o que produzimos, nossa arte.
Trabalham com alguma outra forma de arte?
Sim, escrita, pintada, desenhada…desde papel e nanquim, passando por tinta óleo, acrílica, tela, madeira…e usamos tbm softwares, atualmente estamos produzindo curtas de animação.
De todos os trabalhos, quais se orgulham mais de ter produzido? E menos?
Delafuente = “a trip to the moon” e “homenagem à Jeff Maya”
Anderson Augusto = “Fumante” e “Simon the Genius”
Não tem nenhum trabalho nosso que não gostamos.
Quais as maiores dificuldades para a realização deste tipo de arte?
Financeira, sempre. Tudo que é relacionado a arte é caro. Materiais, livros, tinta. Mas a vontade é maior do que qualquer problema.
Fica aqui o espaço para dicas, conselhos ou algum outro comentário que deseja passar aos interessados e nossos leitores.
Respire fundo e veja tudo de uma forma diferente. Mude sua vida que vc mudara o mundo. Don’t believe the hype!!!
Você fica 4 ou 5 anos numa faculdade e pensa que já viu de tudo e sabe de tudo e dentro do carro você pensa que esta indo muito rápido, creio que é hora de você testar o que você tem mais medo, pois aqui os seguranças não irão te salvar.
Clique nas imagens para ampliar:
“A Trip to The Moon” e “Homenagem a Jeff Maya”:


“Fumante” e “Simon, The Genius.“

